Editorias / Policial
Com renda de até 44 mil, servidores presos pelo Gaeco perdem cargo comissionado
Ed Carlo Britto foi alvo de ação que apura esquema de venda de livros; Felipe Jafar também foi exonerado
Silvia Frias / Campo Grande News
O governo do Estado exonerou Felipe Paroschi Jafar de cargo comissionado da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), onde recebia salário bruto de R$ 11.324,00. Em outra resolução, o servidor Ed Carlo Britto Burgatt foi dispensado da coordenadoria estadual de Regulação, onde chegou a receber R$ 44,1 mil, remuneração acima até do salário do governador.
As determinações foram publicadas hoje (8) no Diário Oficial do Estado, assinadas pelo secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez Ramos. A medida já havia sido anunciada ontem pelo governo, após a operação ter sido desencadeada em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Felipe Jafar era lotado na Agesul desde 2024. A resolução desta quarta-feira mostra que ele era assessor II da agência, recebendo salário bruto de R$ 11.324,00, com rendimento líquido de R$ 8.402-53.
Ele é filho de Rossana Paroschi Jafar e irmão de Olívia Paroschi Jafar, que também foram presas na operação de ontem. Rossana é cirurgiã-dentista e dona da Gráfica Alvorada.
Ed Carlo exercia cargo de coordenador estadual de Regulação Assistencial da SES (Secretaria Estadual de Saúde). No caso dele, servidor de carreira, foi afastado da função de confiança. Em nota, o governo informou, ainda, que todos os funcionários efetivos vão ser alvo de auditoria interna, que pode resultar em demissão.
Segundo dados da Transparência, Ed Carlo tinha salário bruto de R$ 32.428,98. Porém, recebia remuneração eventual que turbinava o salário. Em abril, o penduricalho foi de R$ 29.639,00, elevando o ganho para R$ 44.149,00. Em maio, teve uma pequena queda: o ganho eventual de R$ 14.445,00 deixou o salário líquido em R$ 32.097,00.
Operação - A investigação aponta movimentação superior a R$ 27 milhões, com suspeita de direcionamento de contratos, uso indevido de inexigibilidade de licitação e participação de empresários e servidores públicos.
A ofensiva cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão.
O foco principal da apuração são contratos de livros paradidáticos. Uma das empresas citadas é a Editora Avante, nome fantasia da Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, sediada em São Paulo. Levantamento publicado pelo Campo Grande News mostrou que ao menos 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul contrataram a editora sem licitação entre 2022 e 2025, em negócios que somam R$ 22,1 milhões.
A operação também avançou sobre a área da saúde pública. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), servidores ligados à regulação de vagas teriam usado influência sobre exames, cirurgias, consultas e leitos hospitalares para pressionar ou beneficiar municípios envolvidos no esquema. O Core (Complexo Regulador Estadual), em Campo Grande, foi alvo de diligência.
Além de Felipe, Rossana e Olívia Jafar e Ed Carlos, também foram presos o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos, que é lotado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul); Jessyka Duarte Burgatt, filha de Ed Carlos; Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, ligados ao ramo de veículos e entretenimento noturno; Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante; e Matheus Oliveira Peixoto, filho dele. Também foram registradas prisões em flagrante por posse ou porte irregular de arma durante o cumprimento de mandados.
Durante a operação, o Gaeco apreendeu R$ 69.795 em espécie e 907 dólares. Parte do dinheiro estava em cédulas novas, ainda com lacre do Banco Central. O local da apreensão não foi divulgado pelo Ministério Público.
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