Santa Casa tem paralisação parcial por atraso no pagamento

Enfermeiros, técnicos, administrativos e outros trabalhadores fazem protesto por tempo indeterminado

Viviane Oliveira e Inez Nazira / Campo Grande News


A paralisação dos trabalhadores da Santa Casa de Campo Grande começou na manhã desta quarta-feira (8) em protesto contra o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de junho. O movimento ocorre de forma parcial, metade das equipes permanece nos postos de trabalho para garantir o atendimento aos pacientes, enquanto os demais participam da mobilização.

Segundo os sindicatos que representam as categorias, a paralisação seguirá por tempo indeterminado e será encerrada assim que os salários forem depositados nas contas dos trabalhadores.

Presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Lázaro Santana ressalta que o movimento não se trata de uma greve, mas de um protesto diante dos sucessivos atrasos salariais. 'Hoje não estamos fazendo uma greve, mas paralisação em forma de protesto pelo descaso com que os trabalhadores estão sendo tratados diante da falta do pagamento referente à competência de junho', afirmou.

Segundo o dirigente sindical, os atrasos se tornaram recorrentes e são atribuídos pela Santa Casa à demora nos repasses do Estado, do município e do governo federal. No entanto, ele ressalta que os trabalhadores são empregados da instituição hospitalar. 'Somos funcionários celetistas da Santa Casa. O que observamos é que não existe um planejamento por parte da instituição para garantir o pagamento dos salários no fim do mês', criticou.

Lázaro também afirma que os profissionais convivem com sobrecarga de trabalho, déficit de pessoal e insegurança provocada pela falta de previsibilidade no recebimento dos vencimentos. 'O trabalhador presta serviço durante 30 dias e, quando chega o momento de receber, a empresa comunica apenas no quinto dia útil que não recebeu os recursos. Parece que sempre é preciso uma mobilização dos trabalhadores para que alguma solução aconteça', declarou.

Conforme o Siems, cerca de 1,4 mil profissionais da enfermagem, entre auxiliares, técnicos e enfermeiros, participam da paralisação. Durante o protesto, 50% da categoria continua em atividade para assegurar a assistência aos pacientes.

Os trabalhadores administrativos também aderiram ao movimento. Representando o presidente do SinteSaúde (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde), Cláudio Marcílio da Silva informou que a categoria adotou o mesmo esquema, mantendo metade da equipe em serviço e a outra metade na assembleia. 'Todo mês o atraso no pagamento tem se repetido. Por isso, estamos realizando uma assembleia continuada até que os salários sejam pagos', afirmou.

Segundo ele, a população não será prejudicada, pois os atendimentos e as visitas aos pacientes seguem normalmente. 'O que acontece é apenas a redução das equipes nos setores. Assim que o pagamento cair na conta, a assembleia será encerrada imediatamente e todos os trabalhadores retornarão às atividades com 100% das equipes', explicou.

Atraso nos repasses - Na segunda-feira (7), a Santa Casa informou que não conseguiu efetuar o pagamento dos salários dentro do prazo legal. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Diretoria Financeira do hospital atribuiu o atraso ao não recebimento dos repasses do Governo do Estado, da Prefeitura de Campo Grande e do Governo Federal.

A instituição informou que mantém diálogo com os entes públicos para regularizar a situação e garantiu que os salários serão pagos assim que os recursos forem creditados. A nota foi divulgada justamente no quinto dia útil do mês, data-limite prevista em lei para o pagamento dos trabalhadores.

Em nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que os recursos destinados ao custeio da assistência hospitalar são compostos por repasses das três esferas de governo. Segundo a pasta, o município aguarda o repasse das parcelas de responsabilidade dos governos federal e estadual para a composição integral desses recursos. A secretaria afirmou ainda que acompanha a situação e mantém diálogo com os demais entes envolvidos e com a instituição para garantir a continuidade da assistência prestada à população.


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