Professores protestam no Centro por concursos, previdência e salários

Mobilização é nacional; ato tem participação de cerca de 150 pessoas em Campo Grande

Cassia Modena e Geniffer Valeriano / Campo Grande News


Nesta manhã (14), cerca de 150 professores protestaram no Centro de Campo Grande com faixas, cartazes e panfletos por valorização da carreira na educação. Eles cobraram o chamamento dos aprovados em concursos da SED (Secretaria Estadual de Educação) e da Semed (Secretaria Municipal de Educação) e a realização de novos certames, além de pedir o fim do desconto de 14% da previdência na folha de pagamento dos aposentados que trabalharam na rede estadual.

A mobilização ocorre nacionalmente pela 27ª Semana Nacional de Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida por centrais sindicais. Um dos representantes em Campo Grande é a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública). Presidente da entidade, Gilvano Kunzler Bronzoni, explicou que atividades e reuniões on-line entre a classe debateram quais pautas regionais seriam levadas ao protesto.

Foram levantadas quatro principais questões em relação a Campo Grande e Mato Grosso do Sul. 'A primeira é o fim do confisco da previdência dos 14% pelo Estado; a segunda é a realização do concurso público estadual; a terceira é a prorrogação de concurso público da rede municipal de ensino; e a quarta é o chamamento dos professores aprovados na rede municipal', elenca o sindicalista.

Quanto ao primeiro ponto, a aposentada Elvita Cortez, 81 anos, pede mais sensibilidade. 'É o momento em que nós professores gastamos com médico, farmácia. Foram 54 anos de trabalho, eu e meus colegas sentimos no coração e reivindicamos que tirem esses 14% de desconto. Nós já pagamos para nos aposentar e continuamos pagando após aposentados. Só no meu salário, é um desconto de quase R$ 2 mil', relata.

Concursos - Professores ouvidos pela reportagem no local do protesto, o cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, destacaram que o chamamento de aprovados nos últimos concursos públicos lançados pelo governo do Estado e pela prefeitura, além da redução da desigualdade salarial entre efetivos e contratados, são as prioridades do grupo.

Ângela Pinheiro é professora municipal concursada e também aguarda ser chamada no último concurso da educação estadual, realizado em 2022. 'O prazo dele vence em junho deste ano e existem mais de 300 pessoas aguardando serem chamadas. Acho de muita importância ter mais professores efetivos porque só 30% dos professores do Estado são', disse.

O professor Fernando Leigue é concursado há 16 anos, também na rede municipal, e atua como contratado na rede estadual. Sobre as escolas estaduais, ele aponta que a diferenciação salarial entre efetivos e convocados 'é injusta, chegando a até 40% entre os rendimentos, e deve ser diminuída cada vez mais', afirmou. Ele comparou a situação à rede municipal, em que essa diferenciação é bem menor. 'É um grande avanço, apesar do servidor municipal ganhar menos que o estadual na educação', finaliza.

O que dizem as Secretarias - O Campo Grande News consultou as assessorias de imprensa das Secretarias Estadual e Municipal de Educação e de Administração sobre as demandas dos profissionais.

Segundo a SED, o concurso ao qual os professores se referem já foi prorrogado em 2024 e vence nos próximos meses, de fato. O prazo não será estendido, além de que o certame 'já cumpriu seu objetivo' ao convocar mais servidores do que o edital previa. 'Estavam previstas 722 vagas e passamos disso, chegando a mais de mil chamamentos. Os que obtiveram a nota mínima para aprovação são chamados quando há disponibilidade', justificou.

Quanto ao baixo percentual de professores efetivos na rede estadual, a secretaria afirma que precisa manter um número elevado de contratados devido à necessidade de substituição de profissionais afastados e de manter programas educacionais de formação profissional e tecnológica que necessitam de profissionais com formações específicas.

A SAD (Secretaria Estadual de Administração) foi procurada para se manifestar sobre o desconto previdenciário e a previsão de um novo certame para a educação, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Já a Semed afirmou que iniciou as tramitações necessárias para prorrogar o concurso vigente. 'O processo segue os trâmites legais e orçamentários, e novas informações serão divulgadas oportunamente pelos canais oficiais', diz nota.


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