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Só em cachê, Fundação de Cultura gasta R$ 4,5 milhões em eventos religiosos
Deste total, R$ 2,2 milhões foram destinados para shows da Marcha para Jesus em MS
Fernanda Palheta / Campo Grande News
Os gastos da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul) com cachê artístico para eventos religiosos em 2026 chegaram a cerca de R$ 4,5 milhões, segundo o levantamento feito pelo Campo Grande News nesta terça-feira (11).
Este ano, o valor destinado a eventos católicos se equiparou aos recursos destinados a eventos evangélicos. As atrações incluem desde um show nacional para a Marcha para Jesus até contratos de bandas locais para animar festas juninas nas igrejas católicas sul-mato-grossenses.
De acordo com publicações do Diário Oficial do Estado, ao longo do ano, 17 atrações foram contratadas para a Marcha para Jesus em 15 cidades sul-mato-grossenses, totalizando R$ 2.214.000,00 aos cofres públicos.
Em comparação ao levantamento feito pelo Campo Grande News no fim do primeiro semestre, os gastos com a Marcha para Jesus dobraram em menos de dois meses. Até o dia 19 de junho, a FCMS já havia destinado R$ 1,06 milhão para os tradicionais eventos religiosos no interior, o que representa um aumento de R$ 1.154.000,00.
Nos quatro eventos marcados para o mês de agosto em Campo Grande, Nova Andradina, Aquidauana e Coronel Sapucaia, serão desembolsados R$ 784.000,00.
Campo Grande concentra o maior repasse para as primeiras três atrações confirmadas: cantora mirim Maria Marçal, da banda Get Worship, e o cantor John Dias, que somam R$ 454 mil em cachês pagos pela fundação para o evento que acontecerá no dia do aniversário da Capital, em 26 de agosto.
Maria Marçal foi contratada por R$ 254 mil para um show de uma hora e 20 minutos, com início previsto para as 20h30, na Via Park. Get Worship receberá R$ 150 mil por uma apresentação também com duração prevista de uma hora e 20 minutos. O show está marcado para as 14h, na Praça do Rádio Clube. A última atração confirmada na Capital é John Dias, pastor, compositor e cantor gospel, de Birigui, interior de São Paulo. Ele receberá R$ 50 mil.
Os cachês destinados a eventos católicos se diferenciam das atrações contratadas para os eventos da Marcha para Jesus pelo valor e volume. São mais baratos e mais frequentes. Segundo o levantamento, a maioria dos contratos é para eventos menores, como festas juninas e julinas e comemoração de paróquias, como festas de padroeiros e aniversário de comunidades.
É o caso da Festa Julina da Nossa Senhora da Conceição, realizada no dia 11 de julho, na Vila Planalto, Campo Grande. A Fundação de Cultura pagou R$ 7 mil para a apresentação artística do cantor Daran Junior. Outro exemplo é a contratação de R$ 15 mil para o grupo Eco do Pantanal se apresentar na 5ª Festa Junina em Honra a Nossa Padroeira, o Imaculado Coração de Maria, no Carandá Bosque, no dia 12 de julho.
O maior investimento em um evento católico ocorreu na celebração de Corpus Christi, em junho deste ano, quando a Fundação de Cultura gastou R$ 155 mil no show do cantor gospel Thiago Brado, que lotou a Avenida Fernando Corrêa Costa, em frente ao Memorial da Cultura. Ainda há a previsão de mais investimentos com artistas gospel para a Jornada Diocesana da Juventude, que acontecerá em sete cidades sul-mato-grossenses.
Para a coordenadora do Fórum Estadual de Cultura de Mato Grosso do Sul, Romilda Neto Pizani, toda manifestação cultural é importante, mas é preciso uma melhor distribuição dos recursos públicos. “Não é o mesmo gasto com o restante dos segmentos culturais. Precisamos que a democracia se faça valer, que os recursos sejam disseminados para outros artistas, que sejam melhor administrados e distribuídos', aponta.
Segundo ela, atualmente há poucas políticas públicas estaduais com recursos disponíveis, além da dificuldade de acesso ao que está em andamento. “O edital do FIC está atrasado, tem que ficar ligando para saber quando vai sair. Hoje, a maioria dos recursos destinados à classe artística de Mato Grosso do Sul vem do governo federal', completou.
Somente com o valor investido em eventos religiosos, a Fundação de Cultura poderia ter garantido 10 shows do cantor João Gomes. O forrozeiro se apresentou no MS ao Vivo em julho do ano passado por R$ 450 mil. A atração quebrou o recorde de público do evento no Parque das Nações Indígenas, reunindo 50 mil pessoas.
O Campo Grande News entrou em contato com a Fundação de Cultura para um posicionamento sobre os investimentos em eventos religiosos, mas até a publicação desta reportagem não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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