Crise no STF domina campanha e escanteia propostas

Campanha de Lula avalia que Flávio Bolsonaro pode obter ganhos eleitorais com a crise; uma ala defende que o presidente se afaste do desgaste e cobre investigações de forma mais enfática.


A crise no Supremo Tribunal Federal concentra o debate eleitoral e deixa em segundo plano a discussão de propostas para o país.

Esse cenário dificulta a estratégia da campanha de Lula de colocar a soberania no centro da disputa e aproveitar a participação do presidente na ONU para reforçar sua imagem de estadista.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro explora o desgaste do tribunal, embora também tenha explicações a dar sobre o dinheiro que pediu a Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai.

Na própria campanha de Lula, a avaliação é que a permanência do Supremo no centro do debate permite ao adversário obter ganhos eleitorais.

Por isso, uma ala da campanha defende que Lula se afaste da crise e seja mais enfático ao cobrar a investigação de todos os envolvidos, diante de um desgaste concentrado na figura de Alexandre de Moraes.

A crise no Supremo Tribunal Federal tomou o centro da campanha eleitoral e esvaziou o espaço para a discussão de propostas. Sem um desfecho, o desgaste do tribunal se prolonga e interfere nas estratégias dos candidatos à Presidência.

Na própria campanha do presidente Lula, a avaliação é que Flávio Bolsonaro consegue explorar politicamente esse cenário e obter dividendos eleitorais enquanto o Supremo permanecer como foco da disputa.

A preocupação ajuda a explicar a defesa enfática, feita por uma ala da campanha, de que Lula se afaste cada vez mais da crise. Para esse grupo, o presidente precisa ir além das declarações de que todos devem ser investigados e cobrar a apuração de forma mais contundente.

Embora vários ministros sejam citados e tenham explicações a dar, a avaliação é que o desgaste está muito concentrado na figura de Alexandre de Moraes.

A crise também atravessa uma estratégia que a campanha de Lula vinha tentando consolidar: fazer da soberania o assunto central da eleição.

A participação do presidente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, já estava prevista na agenda. A campanha, porém, busca transformar o evento em um ativo eleitoral, aproveitando o discurso e a exposição internacional para reforçar a imagem de Lula como estadista.

O material produzido durante a viagem pode abastecer a campanha e dar destaque a essa mensagem. No retorno ao Brasil, no entanto, o presidente volta a se deparar com uma crise no Supremo que continua sem solução e ocupa o debate político.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro tenta manter o desgaste do tribunal no centro da campanha. A estratégia busca atingir ministros vistos como mais próximos de Lula, entre eles Moraes.

Isso ocorre apesar de o próprio Flávio ainda não ter esclarecido o pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro para o que seria a produção de um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. Moraes também tem explicações a dar sobre contratos e relações com Vorcaro.

A permanência dessas questões sem esclarecimento alimenta a disputa eleitoral. Para a campanha de Lula, o risco é que o adversário continue capitalizando o desgaste do Supremo enquanto o presidente encontra dificuldade para impor os temas que gostaria de discutir.

O adiamento de uma solução para a crise, portanto, não fica restrito ao tribunal: repercute na eleição e mantém as propostas para o país em segundo plano.


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