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Justiça suspende ação contra 17 acusados de corrupção e lavagem de R$ 27 milhões
Processo envolve contratos de saúde e material didático; TJMS decidirá qual vara deve julgar o caso
Silvia Frias / Campo Grande News
A Justiça de Campo Grande suspendeu a ação penal contra 17 denunciados por suposta participação em um esquema que teria desviado mais de R$ 27 milhões dos cofres públicos por meio de contratos de gestão de vagas de saúde e aquisição de materiais didáticos. A decisão foi tomada após a defesa de um dos réus questionar qual juízo deve conduzir o processo.
A decisão foi publicada hoje no Diário da Justiça, sendo assinada em 22 de setembro pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, após a abertura de um conflito de competência que será analisado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
A suspensão ocorreu após a defesa de Giovanni Paroschi Jaffar apresentar uma exceção de incompetência, questionando a competência do juízo responsável pelo processo. O pedido levou à abertura de um conflito negativo de competência, que será analisado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). A decisão aberta no sistema do Judiciário, porém, não detalha quais argumentos foram apresentados pela defesa.
Na decisão, a magistrada afirmou que, neste momento, não havia nenhuma medida urgente pendente que exigisse análise imediata. Por isso, determinou que o processo permaneça parado até uma definição do Tribunal de Justiça.
A decisão acrescenta que os autos deverão aguardar “até que sobrevenha decisão do Tribunal de Justiça acerca da competência para processamento e julgamento do presente feito e demais processos correlatos'.
A suspensão do processo não interfere nas prisões preventivas decretadas durante a investigação, já que não analisou pedidos de liberdade ou substituição das medidas cautelares.
A Operação Gutenberg foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em julho de 2026 e investigou um suposto esquema envolvendo contratos para aquisição de livros paradidáticos por municípios, além de suspeitas relacionadas à estrutura de regulação de vagas do SUS (Sistema Único de Saúde). A investigação apontou movimentações superiores a R$ 27 milhões e resultou em 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão.
Ao todo, o Gaeco denunciou 17 pessoas por supostos crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão integrantes da família Jafar, empresários, ex-servidores e outros investigados. A denúncia foi apresentada inicialmente à Justiça de Campo Grande.
Durante o andamento do caso, parte dos investigados deixou a prisão. Tiveram a prisão preventiva revogada Geancarlo Leal de Freitas, Joatan Gomes Peixoto, Jessyca Duarte Burgatt e Olívia Paroschi Jafar. No caso de Joatan, a Justiça substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Outros investigados permaneceram presos. Entre eles estavam Giovanni Paroschi Jaffar, Francisco Anízio dos Santos e os empresários Douglas Henrique de Melo e Paulo Rogério de Melo, cujos pedidos de revogação da prisão preventiva foram negados pela Justiça. Também tiveram prisões mantidas Felipe Paroschi Jafar, Rhayane Fanaia e Ed Carlo Britto Burgatt.
Após a operação, a Clínica Ross, que tinha Olívia Paroschi Jafar como sócia-administradora e foi um dos endereços alvo de busca do Gaeco, deixou de funcionar. A unidade, localizada no Jardim dos Estados, passou a ser associada ao caso após a investigação incluir a empresária entre os alvos da operação.
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