Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão

Advogado cita mensagens e carta anexadas ao processo e questiona prisão preventiva após audiência de custódia

Bruna Marques e Sofia Lupaes / Campo Grande News


Na saída do Fórum, na manhã desta sexta-feira (4), a defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, representada pelo advogado José Belga Trad, conversou com a imprensa e voltou a sustentar que Fabíola Marcotti, de 51 anos, não foi assassinada, mas cometeu suicídio. O advogado também classificou a prisão do médico como irregular e disse que vai adotar medidas para tentar reverter a preventiva.

Jazbik é réu por feminicídio pela morte da fisioterapeuta, encontrada sem vida em 18 de maio deste ano, na chácara onde o casal morava, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A Polícia Civil concluiu que Fabíola foi assassinada e descartou a versão de suicídio apresentada inicialmente pelo médico.

Nesta sexta-feira, porém, a defesa insistiu na tese contrária e afirmou que existem elementos no processo que indicariam que Fabíola enfrentava um quadro de forte abalo emocional antes da morte.

Segundo José Belga Trad, mensagens extraídas do celular da vítima mostram conversas dela com um sobrinho, que teria percebido que a tia estava muito deprimida. De acordo com o advogado, na véspera da morte, o sobrinho chegou a enviar uma mensagem pedindo que ela não atentasse contra a própria vida.

“Tia, pelo amor de Deus, não faça nada contra sua vida', teria escrito o sobrinho, conforme relato feito pelo defensor à imprensa.

Belga Trad também mostrou uma mensagem atribuída a Fabíola na qual ela falava sobre a intenção de estar com familiares já mortos. Segundo a defesa, uma carta escrita pela fisioterapeuta dois dias antes da morte também reforçaria a hipótese de suicídio.

“Estou indo para meu lugar, ficar com a nossa mãe. Lá vou ficar em paz. Amo todos vocês, minha família. João, eu te amo eternamente, sempre te amei. Dediquei minha vida a você. Eu cuido de você, você cuida de mim', diz o texto apresentado pelo advogado.

Para a defesa, o conteúdo das mensagens e da carta precisa ser analisado no decorrer do processo e confrontado com as conclusões da investigação.

“Existem elementos nesse processo que demonstram que, lamentavelmente, o que aconteceu no dia 18 de maio de 2026 foi um trágico suicídio', afirmou Belga Trad.

A versão contraria diretamente a conclusão da Polícia Civil. Conforme a investigação, Fabíola sofreu sucessivos golpes na cabeça antes de ser atingida pelo disparo que provocou sua morte. A perícia também apontou que manchas de sangue, lesões e a trajetória do projétil seriam incompatíveis com suicídio.

Jazbik foi denunciado pelo Ministério Público e responde por feminicídio qualificado pelo meio cruel, uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. Ele também é acusado de violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual.

Defesa diz que prisão é irregular - Após a audiência de custódia, José Belga Trad também contestou a nova prisão preventiva do cardiologista. Segundo ele, a medida teria sido determinada com base no resultado das investigações antes que a defesa pudesse confrontar judicialmente as provas.

“Ele foi preso de novo em razão do resultado das investigações. E o Código de Processo Penal veda terminantemente que uma prisão seja decretada como consequência ou avanço das investigações', declarou.

O advogado afirmou que o médico ainda não teve oportunidade de exercer plenamente a defesa no processo e classificou a preventiva como uma “prisão sem processo'.

“Reafirmamos: é uma prisão sem processo. É uma prisão sem processo. O doutor João tem o direito de se defender do resultado dessas investigações', disse.

Na audiência de custódia, a prisão foi mantida. Conforme a própria defesa explicou, o juiz responsável pelo procedimento não analisou o mérito da preventiva, mas verificou as condições da prisão e se os direitos do acusado foram respeitados.

A expectativa é que Jazbik seja encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima. A defesa, no entanto, afirma que existe determinação para que o médico permaneça em prisão especial e pretende questionar eventual permanência dele em local que, na avaliação dos advogados, não cumpra essa condição.

A defesa sustenta que as conclusões da investigação ainda serão contestadas durante o processo. A prisão preventiva não representa condenação, e a responsabilidade criminal do médico será definida no decorrer da ação penal.


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