MS chega a 2,94 milhões de habitantes e cresce acima da média do Brasil

Estimativa do IBGE aponta avanço populacional em Mato Grosso do Sul, com ritmo de crescimento superior ao registrado no país.

Correio do Estado / Welyson Lucas


Mato Grosso do Sul chegou a 2.946.317 habitantes em 2026, segundo a nova estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado ganhou 21.686 moradores em relação ao levantamento anterior, que apontava uma população de 2.924.631 pessoas em 2025.

Em termos percentuais, a população sul-mato-grossense cresceu 0,74% em um ano. O avanço foi praticamente o dobro da média nacional: o Brasil passou de 213.421.037 para 214.211.951 habitantes, acréscimo de 790.914 pessoas, equivalente a 0,37%.

Com o novo resultado, Mato Grosso do Sul permanece na 21ª posição entre as 27 unidades da Federação. O Estado aparece logo abaixo do Distrito Federal, que possui 3.009.996 habitantes, e à frente de Sergipe, cuja população está estimada em 2.307.255 pessoas.

No ranking nacional, São Paulo permanece como o estado mais populoso do Brasil, com 46.179.008 habitantes. O número representa 21,56% dos 214.211.951 moradores estimados no País, mais de um em cada cinco brasileiros.

Minas Gerais aparece na segunda posição, com 21.460.311 habitantes, seguida pelo Rio de Janeiro, com 17.225.410. Bahia, com 14.889.472 moradores, e Paraná, com 11.952.456, completam a lista dos cinco estados mais populosos do Brasil.

Apesar do crescimento acima da média brasileira, Mato Grosso do Sul continua sendo a unidade menos populosa da Região Centro-Oeste. Goiás lidera, com 7.495.033 habitantes, seguido por Mato Grosso, com 3.950.330; Distrito Federal, com 3.009.996; e Mato Grosso do Sul.

Os dados têm como referência o dia 1º de julho de 2026 e mostram que o avanço populacional permanece concentrado principalmente em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e em municípios do interior que vêm passando por expansão econômica.

Quase 264 mil habitantes a mais em dez anos

Em uma comparação mais ampla, Mato Grosso do Sul ganhou 263.931 habitantes na última década. A população estadual passou de 2.682.386 pessoas, em 2016, para 2.946.317 em 2026, crescimento de 9,84%.

No mesmo intervalo, o Brasil passou de aproximadamente 206,1 milhões para 214,2 milhões de habitantes, aumento próximo de 3,95%. Isso significa que, proporcionalmente, a população de Mato Grosso do Sul cresceu mais que o dobro da média nacional ao longo dos últimos dez anos.

A expansão, no entanto, não foi distribuída de maneira uniforme pelo território estadual. Enquanto algumas cidades cresceram mais de 40% na década, outras registraram redução no número estimado de moradores.

Campo Grande se aproxima de 1 milhão

Campo Grande continua sendo, com ampla diferença, o município mais populoso de Mato Grosso do Sul. A Capital chegou a 970.843 habitantes em 2026 e ganhou 7.960 moradores em relação aos 962.883 estimados no ano passado. A alta anual foi de 0,83%.

A cidade reúne sozinha 32,95% de toda a população estadual. Em outras palavras, aproximadamente um em cada três moradores de Mato Grosso do Sul vive na Capital.

Na comparação com 2016, Campo Grande ganhou 106.861 habitantes. A população saltou de 863.982 para 970.843 pessoas em dez anos, avanço de 12,37%.

A Capital ainda precisa incorporar 29.157 moradores para alcançar oficialmente a marca de 1 milhão de habitantes. Caso mantenha ritmo semelhante ao observado no último ano, poderá atingir esse patamar nos próximos anos.

Dourados e Três Lagoas ampliam população

Dourados permanece como a segunda maior cidade do Estado, com 266.950 habitantes. O município ganhou 2.933 moradores em relação a 2025, quando possuía população estimada de 264.017 pessoas. O crescimento anual foi de 1,11%.

Em dez anos, Dourados incorporou 51.464 habitantes. A população aumentou 23,88% em comparação com os 215.486 moradores estimados em 2016.

Três Lagoas manteve a terceira posição no ranking estadual e chegou a 145.514 habitantes. Foram 1.991 moradores a mais em relação aos 143.523 registrados no ano passado, alta de 1,39%.

Entre as três maiores cidades do Estado, Três Lagoas teve o maior crescimento percentual na década. A população passou de 115.561 habitantes em 2016 para os atuais 145.514, acréscimo de 29.953 pessoas e expansão de 25,92%.

Ponta Porã ultrapassa Corumbá

Uma das principais mudanças no ranking populacional ocorreu entre Ponta Porã e Corumbá. A cidade fronteiriça chegou a 99.572 habitantes e assumiu a quarta posição entre os municípios mais populosos de Mato Grosso do Sul.

Ponta Porã ganhou 974 moradores em relação a 2025, avanço de 0,99%, e ficou a apenas 428 habitantes de alcançar a marca de 100 mil.

Na comparação com 2016, quando possuía 88.164 moradores, o município ganhou 11.408 habitantes. O crescimento acumulado na década foi de 12,94%.

Corumbá percorreu o caminho inverso. A população caiu de 98.751 habitantes em 2025 para 96.334 em 2026. A redução anual foi de 2.417 pessoas, equivalente a 2,45%, a maior queda absoluta entre os municípios sul-mato-grossenses.

Em dez anos, a diferença é ainda maior. Corumbá tinha 109.294 habitantes em 2016 e perdeu 12.960 moradores na comparação com a estimativa atual, recuo de 11,86%. Com esse movimento, o município caiu da quarta para a quinta posição no ranking estadual.

Depois das cinco maiores aparecem Naviraí, com 53.307 habitantes; Nova Andradina, com 51.081; Sidrolândia, com 50.079; Aquidauana, com 48.810; e Maracaju, com 48.564 moradores.

Ladário lidera crescimento em um ano

Embora Campo Grande tenha registrado o maior aumento em números absolutos, Ladário apresentou o maior crescimento percentual entre 2025 e 2026.

A população ladarense passou de 22.425 para 24.631 habitantes, acréscimo de 2.206 pessoas e alta de 9,84% em apenas um ano.

Na sequência aparecem Chapadão do Sul, que cresceu 2,25% e chegou a 35.384 habitantes; Costa Rica, com alta de 1,92% e população de 29.292; Itaporã, com avanço de 1,86% e 25.732 moradores; e São Gabriel do Oeste, que cresceu 1,52% e alcançou 32.696 habitantes.

Em números absolutos, os maiores aumentos anuais ocorreram em Campo Grande, com 7.960 habitantes a mais; Dourados, com 2.933; Ladário, com 2.206; Três Lagoas, com 1.991; e Ponta Porã, com 974.

Cidades do interior crescem mais de 40% na década

A comparação com 2016 mostra que o maior crescimento proporcional da década ocorreu em Chapadão do Sul. A população passou de 23.284 para 35.384 habitantes, acréscimo de 12.100 pessoas e alta de 51,97%.

Costa Rica aparece na segunda posição, com crescimento de 47,68%. O município saltou de 19.835 para 29.292 habitantes, diferença de 9.457 moradores.

Selvíria apresentou avanço de 36,56%, passando de 6.469 para 8.834 habitantes. Ivinhema cresceu 32,19%, de 22.975 para 30.371; e São Gabriel do Oeste avançou 28,51%, de 25.443 para 32.696 moradores.

Três Lagoas aparece logo depois, com crescimento de 25,92% na década, seguida por Figueirão, com 25,50%; Bandeirantes, com 23,93%; Dourados, com 23,88%; e Água Clara, com 23,14%.

Os resultados evidenciam uma expansão populacional mais intensa em municípios associados ao agronegócio, à indústria e a novos investimentos. As estimativas, porém, não permitem atribuir o crescimento exclusivamente a um único fator, pois consideram diferentes componentes da dinâmica demográfica.

Menores municípios têm menos de 5 mil habitantes

Na outra ponta do levantamento, Jateí permanece como o município menos populoso de Mato Grosso do Sul. A cidade possui 3.573 habitantes, 23 a menos do que os 3.596 estimados em 2025. A queda anual foi de 0,64%.

Na comparação com 2016, Jateí perdeu 458 habitantes. A população estimada diminuiu de 4.031 para 3.573 pessoas, recuo de 11,36%.

Taquarussu é o segundo menor município, com 3.748 moradores. A cidade ganhou apenas oito habitantes em relação ao ano passado, aumento de 0,21%. Em dez anos, o acréscimo foi de 178 moradores, ou 4,99%.

Figueirão aparece em seguida, com 3.790 habitantes. Apesar de permanecer entre os menores municípios, registrou crescimento de 25,50% na década, ao passar de 3.020 para 3.790 moradores.

Alcinópolis possui 4.651 habitantes, somente dois a mais do que em 2025. Em relação a 2016, entretanto, houve redução de 463 pessoas, ou 9,05%.

Novo Horizonte do Sul completa a relação das cinco menores cidades, com 4.791 habitantes. O município perdeu dez moradores em um ano, mas ainda apresenta crescimento de 14,81% na década, quando comparado aos 4.173 habitantes de 2016.

Como é feita a estimativa

As estimativas populacionais de 2026 têm como referência 1° de julho e foram calculadas pelo IBGE a partir das projeções populacionais revisadas em 2024 e dos dados dos Censos Demográficos de 2010 e 2022.

Para os municípios, o instituto utiliza o Método de Tendência do Crescimento Populacional (AiBi), que considera a trajetória de crescimento de cada cidade entre os dois censos em relação à evolução da população do respectivo Estado.

Os dados censitários também passam por ajustes para garantir comparabilidade, e o cálculo incorpora informações da Pesquisa de Pós-Enumeração do Censo 2022 e eventuais alterações nos limites territoriais dos municípios.

População interfere em repasses e serviços

As estimativas populacionais não servem apenas para indicar quantas pessoas vivem em cada município. Os números orientam o planejamento e a execução de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, habitação, transporte, saneamento, infraestrutura e assistência social.

Um município em forte expansão populacional, por exemplo, pode passar a demandar mais vagas em escolas, unidades de saúde, moradias, transporte coletivo e redes de água e esgoto.

Nas cidades que perdem habitantes, os números ajudam a identificar mudanças econômicas, migratórias e sociais que exigem respostas específicas do poder público.

Os dados também são encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e utilizados no cálculo das cotas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Como parte dos coeficientes é definida por faixas populacionais, o aumento ou a redução do número de habitantes pode influenciar os repasses federais destinados às prefeituras.

Para empresas e investidores, as informações ajudam a identificar novos mercados e orientar decisões sobre a instalação de indústrias, lojas, hospitais, escolas, empreendimentos imobiliários e outros serviços.

Para a sociedade, permitem acompanhar a expansão ou a redução das cidades e cobrar investimentos compatíveis com a população atendida.

Estimativa não é contagem direta

Diferentemente do Censo Demográfico, as estimativas anuais não resultam de uma contagem direta dos moradores de cada cidade. Os números são calculados pelo IBGE com base nos resultados censitários, nas projeções demográficas e em informações relacionadas a nascimentos, mortes e movimentos migratórios.

Por isso, as variações verificadas entre 2016, 2025 e 2026 representam mudanças nas estimativas oficiais e não podem ser atribuídas apenas à chegada ou à saída de moradores. Revisões metodológicas e a incorporação de novos dados também podem influenciar os resultados.

Ainda assim, as estimativas constituem a principal referência oficial sobre a população dos estados e municípios nos períodos entre os censos e são fundamentais para o planejamento público, a distribuição de recursos e a compreensão das transformações demográficas de Mato Grosso do Sul.

 


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