Dois anos após queda de barragem, família ainda aguarda pagamento de indenização

Além dos móveis, Rogério teve prejuízos com equipamentos, animais e estruturas da propriedade

Judson Marinho / Campo Grande News


Dois anos após o rompimento da barragem do Nasa Park, ocorrido no dia 20 de agosto de 2024, família atingida ainda aguarda a conclusão dos pagamentos previstos em acordos de indenização.

O caminhoneiro Rogério Pedroso dos Santos, de 50 anos, afirma ter recebido apenas a primeira parcela do valor acordado pelos danos causados à propriedade.

A chácara de Rogério fica às margens da BR-163, em Jaraguari, e foi atingida pela água e pela lama que avançaram após o rompimento da barragem. Segundo ele, praticamente tudo o que estava dentro da casa foi perdido.

“A gente perdeu praticamente tudo que tinha dentro de casa. O rompimento causou muitos danos, revirou a casa e perdemos móveis e outros bens, como sofá e várias outras coisas', relatou.

Além dos móveis, a família teve prejuízos com equipamentos, animais e estruturas da propriedade. A bomba do poço foi danificada e precisou ser consertada. Porcos e galinhas foram levados pela água, enquanto um tanque de criação de peixes também foi destruído.

Um caminhão que Rogério havia acabado de passar por manutenção também foi atingido. Segundo ele, o motor havia recebido um investimento de aproximadamente R$ 25 mil pouco antes do desastre.

Rogério conta que firmou um acordo indenizatório por meio do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo ele, o valor total previsto era de aproximadamente R$ 95 mil, dividido em quatro parcelas. Até agora, porém, afirma ter recebido somente a primeira.

“Nós fizemos um acordo por meio do MPMS. Recebemos somente a primeira indenização e, depois disso, não recebemos mais nenhum valor', disse.

O caminhoneiro considera o valor baixo diante dos prejuízos sofridos, mas afirma que o pagamento seria importante para reconstruir parte da propriedade.

“A gente queria que eles pagassem porque esse dinheiro a gente conseguia fazer a cerca da nossa chácara', afirmou.

Na época do desastre, parte dos objetos necessários para recompor a casa foi comprada pela família e outra parte veio de doações de amigos.

Rogério também afirma que não recebeu cobrança do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para regularizar documentos ou apresentar licenças ambientais como condição para o pagamento da indenização.

A versão apresentada pela família, no entanto, é diferente do posicionamento do Nasa Park. Por meio da advogada Alice Adolfa Plöger Zeni, o empreendimento informou que o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado estabelece obrigações que precisam ser cumpridas pelas famílias para o pagamento das indenizações.

Segundo a advogada, entre as 11 famílias que firmaram acordos existem propriedades com construções de açudes e fossas dentro de áreas de preservação permanente em situação considerada irregular.

Por isso, as famílias precisam regularizar a situação das chácaras junto ao Imasul e apresentar as licenças ambientais previstas no acordo.

“O Nasa Park tem dinheiro para pagar, vamos pagar, mas as pessoas têm que cumprir a obrigação no TAC', afirmou Alice.

A advogada também declarou que todas as famílias que firmaram acordos receberam ao menos duas parcelas da indenização, informação que diverge do relato de Rogério, que afirma ter recebido apenas a primeira.

Propriedade destruída - No dia do rompimento, Rogério estava a caminho de Campo Grande quando recebeu de um amigo a informação de que a barragem havia cedido.

Ele imediatamente ligou para o filho adolescente, Higor Pedroso dos Santos, e pediu que ele avisasse o tio que morava ao lado.

Rogério orientou o filho a subir para uma área mais alta, próxima à BR-163, a cerca de 50 metros da propriedade. O adolescente conseguiu escapar antes que a água atingisse a casa.

Quando a família retornou à chácara, encontrou os cômodos tomados por água e lama. Apesar de ninguém ter morrido na propriedade, os prejuízos materiais foram extensos.

Dois anos depois, Rogério afirma que ainda espera pela conclusão da indenização. Segundo o caminhoneiro, também falta clareza sobre o andamento das medidas de recuperação.

“Ficamos sem saber o que está sendo feito para reparar os danos causados pelo rompimento', afirmou.


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