Declarações de bens dos candidatos ao Senado vão do carro 2005 ao avião

Dez concorrentes juntos somam R$ 80,7 milhões; Daniel (Agir) não declarou nenhum bem

Anderson Viegas / Campo Grande News


Os dez candidatos que disputam as duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado declararam, juntos, R$ 80,69 milhões em bens à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026. O maior patrimônio é do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), com R$ 55,97 milhões, enquanto Valderi Garcia (PCO) apresenta o menor valor entre os nove concorrentes que informaram possuir bens, com R$ 176 mil. Daniel Júnior (Agir) é o único sem patrimônio declarado.

Os registros apresentados pelos candidatos incluem imóveis urbanos e rurais, veículos, participações societárias, aplicações financeiras, recursos bancários, produção agrícola, animais e até uma aeronave. Neste ano, os eleitores sul-mato-grossenses escolherão dois senadores, que exercerão mandatos de oito anos a partir de 2027.

Ex-governador e produtor rural, Reinaldo Azambuja (PL), de 63 anos, declarou R$ 55.976.398,48, valor que corresponde a quase 70% do total informado pelos dez candidatos. O maior registro é de 3.343 bovinos, avaliados em R$ 13,372 milhões. Outros R$ 8,5 milhões aparecem como bens relacionados ao exercício da atividade rural e R$ 6,5 milhões como benfeitorias em imóveis rurais.

A relação inclui ainda participações em imóveis rurais, 80 mil sacas de milho avaliadas em R$ 4 milhões, R$ 2,61 milhões em depósitos, poupança e investimentos bancários e uma aeronave Piper, de R$ 1,25 milhão, além de imóveis urbanos, veículos e quotas de capital. O primeiro suplente de Azambuja é o senador e médico Nelsinho Trad (PSD), que declarou R$ 3.167.073,80. O segundo, o advogado Felipe Mattos (União Brasil), informou R$ 10.457.125,38 em bens.

O segundo maior patrimônio é do empresário Valter da Comagran (PRD), de 57 anos, com R$ 16,35 milhões. Desse total, R$ 10 milhões correspondem à participação de 44,08% no Grupo Redegran MS. Quatro terrenos foram declarados conjuntamente por R$ 4,8 milhões. A lista inclui ainda uma casa, de R$ 750 mil, um imóvel rural, de R$ 300 mil, e participação de 99% na Comagran Paraguai, registrada por R$ 500 mil.

Valter chegou à disputa em substituição a Sidney Vargas de Oliveira, que havia sido anunciado anteriormente pelo PRD como candidato ao Senado. O primeiro suplente é o empresário Valdevino Perroni (PRD), com R$ 452 mil em bens, e o segundo é o engenheiro Adamário de Lana Gerling Júnior (PRD), que declarou R$ 140.559,09.

Deputado federal Vander Loubet (PT), de 62 anos, declarou R$ 4.122.759,55. Parte do patrimônio está concentrada em imóveis rurais em Porto Murtinho, entre eles participações de 25% nas fazendas São José, Flórida e Pindorama, além da Chácara São Bernardo. Uma casa financiada em Curitiba (PR) aparece na relação por R$ 529,2 mil.

Loubet informou ainda um Chevrolet Tracker, consórcios, crédito concedido a terceiro, aplicações e recursos bancários. As duas suplentes são professoras: Maria Diogo (PT), vereadora de Três Lagoas, declarou R$ 134.366,06, enquanto Maju Cordeiro (PT), ex-pró-reitora da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), informou R$ 450 mil em bens.

Militar da reserva do Exército, Capitão Contar (PL), de 42 anos, apresentou patrimônio de R$ 1.660.693,63. O item de maior valor é um motorhome Iveco 2024, de R$ 618.546,01. Também aparecem uma caminhonete BYD Shark 2025, avaliada em R$ 314 mil, um Suzuki Jimny 2024, de R$ 200 mil, e uma moto aquática, de R$ 150 mil.

A relação traz ainda uma motocicleta BMW, dois reboques, aplicações financeiras, recursos bancários e participação societária. Os dois suplentes declararam valores superiores aos do titular: o economista Claudio Mendonça (PP) informou R$ 18.218.633,64, e o administrador Luciano Barbosa Rodrigues (PP), R$ 4.058.604,88.

Agricultor, assentado em Sidrolândia e liderança da agricultura familiar, Beto do Movimento (PSOL/Rede), de 46 anos, declarou R$ 945 mil. O principal bem é um lote no Assentamento Eldorado, em Sidrolândia, registrado como terra nua e avaliado em R$ 500 mil. Uma casa de alvenaria aparece por R$ 250 mil.

Completam o patrimônio três veículos: uma S10, de R$ 120 mil; um Polo, de R$ 70 mil; e um Fiat Uno, de R$ 5 mil. As suplentes Elizangela Tiago (PSOL) e Kátia Bastos (PSOL) informaram não possuir bens a declarar.

Única candidata à reeleição, Soraya Thronicke (PSB), de 53 anos, é advogada e declarou R$ 612.959,24. A maior parte está concentrada na participação societária na T & B Holding Ltda., registrada por R$ 500 mil. Outros R$ 112.945,75 estão em aplicação de renda fixa no BRB (Banco de Brasília) e R$ 13,49 em conta corrente no Sicredi.

O primeiro suplente é o empresário e advogado Bruno Migueis (PT), que declarou R$ 566.083,26. A segunda suplente, a empresária Geana Mesquita (PSB), apresentou R$ 889 mil em bens à Justiça Eleitoral.

Advogado tributarista e empresário, Roberto Oshiro (Novo), de 48 anos, declarou R$ 497.691,02. Os bens estão distribuídos entre participações societárias, veículos, recursos financeiros e imóveis. O maior registro individual é uma participação societária de R$ 99 mil. A relação inclui ainda Hyundai HB20S, Jeep Grand Cherokee, Jeep Compass e uma motocicleta Royal Enfield Meteor.

O candidato também informou fração em resort, terreno, consórcio, fundos e saldo em conta no exterior. Seu primeiro suplente, o empresário Augusto da Soldamaq (Novo), declarou R$ 7.475.960,22. Já o segundo, o produtor agropecuário Italívio Coelho Neto (Novo), informou não possuir bens a declarar.

Engenheiro Luiz Lemes (DC), de 59 anos, apresentou R$ 352.800 em bens. O principal registro é uma área de terras denominada Fazenda Biooli, em Dois Irmãos do Buriti, avaliada em R$ 240 mil. Também aparecem terrenos em Campo Grande e Dois Irmãos do Buriti, um Chevrolet Cobalt 2012 e participação de 90% na Allbux Fertilizantes Ltda.

O primeiro suplente, o empresário Roberto Oscar Patzlaff, declarou R$ 148.773,53. O segundo, o trabalhador rural Aldeci Teixeira dos Santos, informou R$ 430 mil em bens.

Agricultor e liderança da Reserva Indígena de Dourados, Valderi Garcia (PCO), de 52 anos, é indígena da etnia Guarani Kaiowá e declarou R$ 176 mil, o menor patrimônio entre os nove candidatos que apresentaram bens. A relação tem apenas dois registros: uma casa avaliada em R$ 150 mil e um Volkswagen Fox 2005, de R$ 26 mil. Seus dois suplentes informaram não possuir bens. Luciano Lemes (PCO) é trabalhador rural, enquanto Thiago Assad (PCO) é jornalista e redator.

 Por fim, Daniel Júnior (Agir), de 47 anos, corretor de imóveis, seguros e títulos, é o único entre os dez candidatos ao Senado que não declarou bens à Justiça Eleitoral. Natural de Campo Grande, concorreu a vereador de Terenos em 2020 e a deputado federal em 2022.

A ausência de bens declarados também se repete entre seus suplentes. Alessandro Garcia (Agir), lavador de veículos, e Luciene Ramos da Silva (Agir), manicure e maquiadora, informaram não possuir patrimônio a declarar.


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