ONU pede que EUA reconsiderem política migratória durante a Copa

Folha


O chefe de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Volker Turk, pediu que os Estados Unidos reconsiderem suas práticas de imigração para a Copa do Mundo nesta quarta-feira (10). A solicitação vem após o governo do Donald Trump barrar torcedores e árbitro, além de interrogar jogadores que irão participar do torneio.

'Espero realmente que haja uma ponderação sobre como a fiscalização imigratória está impactando os direitos humanos e a dignidade humana, e que especialmente para a Copa do Mundo, haja uma reavaliação das políticas que infelizmente temos visto prevalecer, especialmente nos EUA', disse ele a jornalistas.

Os Estados Unidos têm endurecido fiscalizações e restringido o acesso até mesmo de pessoas envolvidas com a Copa do Mundo às vésperas do início do torneio. O maior rigor tem gerado críticas de torcedores.

A Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizadora do evento, evita se pronunciar sobre o tema e afirma não se envolver nos processos de imigração dos países-sede.

Até agora, os principais atingidos são pessoas ligadas às seleções de Irã, Iraque, Senegal e Uzbequistão, além de um árbitro da Somália. Alguns desses países figuram entre os alvos das restrições migratórias adotadas pelo governo Trump.

Nesta terça (9), a FFIRI (Federação de Futebol do Irã) afirmou ter tido sua cota de ingressos revogada poucos dias antes do início da Copa do Mundo. A decisão deixou torcedores iranianos que já haviam feito planos de viagem sem a possibilidade de assistir aos jogos da seleção.

O episódio se somou à decisão dos EUA de barrar a entrada do árbitro somali Omar Artan. Ele estava entre os 52 árbitros selecionados para o torneio e foi interrogado por 11 horas. No sábado (6), o atacante iraquiano Aymen Hussein foi submetido a um interrogatório de quase sete horas. Hussein acabou liberado para entrar no país, mas um fotógrafo da delegação não recebeu a mesma autorização.

Também viralizaram vídeos de jogadores de Senegal e Uzbequistão sendo revistados por equipes de segurança em aeroportos e estádios.

Há temor de que a política anti-imigração do governo Donald Trump se intensifique durante a Copa do Mundo. As medidas têm se baseado na restrição de entrada e na deportação de imigrantes em situação irregular, mas estrangeiros com status migratório temporário, porém legal, também têm relatado abordagens e expulsões.

Em documento divulgado em abril, mais de 120 organizações americanas alertaram torcedores, jogadores e jornalistas estrangeiros sobre riscos significativos de violações de direitos humanos durante o torneio.

No documento, intitulado 'Aviso aos Viajantes', as entidades chamam a atenção para a possibilidade de negação arbitrária de entrada no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamentos desumanos.

O chefe da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026 defendeu nesta terça a decisão dos Estados Unidos de não conceder vistos a um árbitro somali e a parte da delegação da seleção iraniana.

'Até este momento, tivemos 35 equipes que vieram aos EUA', disse Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa, em um evento organizado pelo Atlantic Council em Washington.

'Não foi negada a entrada a nenhum jogador nem a nenhum treinador', acrescentou. 'Houve alguns dirigentes aos quais a entrada foi negada, e por razões muito boas.'

Giuliani, filho do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, foi questionado especificamente sobre a decisão de proibir a entrada no país do árbitro somali Omar Artan.

'Embora eu não possa entrar em detalhes, o que posso dizer, em linhas gerais, é que foi por uma razão muito boa', disse.


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