Estudo apresentado na Câmara de Vereadores alerta para perda de áreas verdes e necessidade de preservação ambiental em Ivinhema


Um estudo sobre as modificações no uso do solo urbano e os impactos ambientais causados pela redução das áreas verdes em Ivinhema foi apresentado na noite de segunda-feira (11 de maio), aos vereadores presentes na Câmara Municipal de Ivinhema.

O trabalho foi desenvolvido pelo acadêmico Osmar Pokrevvieski, do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, sob orientação da professora doutora Glaucia Almeida de Morais, e aborda a perda progressiva de áreas verdes, que são espaços públicos com presença de vegetação e áreas permeáveis, associada à impermeabilização do solo urbano, bem como os impactos ambientais provocados pelo avanço imobiliário no município.

Durante a apresentação, os autores destacaram que embora diversas áreas verdes tenham sido previstas no planejamento inicial da cidade pelos idealizadores do município, os constantes processos de desafetação de áreas públicas acabaram reduzindo significativamente estes espaços, antes destinados a praças, parques, jardins e ao antigo Cinturão Verde também planejado para a cidade. Foram cerca de 330 mil metros quadrados de áreas verdes perdidas ao longo dos anos. Segundo o estudo, a redução dessas áreas aumenta os riscos de enchentes, erosões, assoreamento, de criação de ilhas de calor e de prejuízos à qualidade de vida da população.

O levantamento também enfatiza a importância da preservação dos córregos Andorinha e Ponta Porã, considerados fundamentais para o equilíbrio hídrico e ambiental da área urbana de Ivinhema. A manutenção das áreas de vegetação próximas aos córregos é apontada como essencial para reduzir alagamentos, proteger nascentes, conter erosões e melhorar a drenagem urbana.

Outro ponto destacado foi a necessidade de preservação do Bosque Municipal, o principal fragmento de vegetação arbórea dentro do perímetro urbano. O espaço possui importância ecológica, climática e social, contribuindo para a conservação ambiental, melhoria da qualidade do ar e bem-estar da população.

O estudo ainda aborda questões relacionadas à equidade e justiça ambiental, apontando que muitas áreas verdes estão concentradas em espaços privados e institucionais, enquanto diversos bairros possuem carência de espaços públicos arborizados e ambientalmente equilibrados.

Segundo Osmar Pokrevvieski, a apresentação teve como principal objetivo sensibilizar os vereadores para que os projetos de leis relacionados ao uso do solo urbano sejam analisados também sob a ótica ambiental. A proposta é que futuras aprovações levem em consideração os impactos ambientais, sociais e climáticos, priorizando o desenvolvimento sustentável e não apenas os interesses econômicos e imobiliários.

Durante a explanação, foi defendida a necessidade de aplicação das políticas públicas voltadas à ampliação das áreas verdes, aumento da permeabilidade do solo, preservação dos córregos urbanos e fortalecimento do planejamento ambiental sustentável no município. O estudo alerta ainda que a continuidade da urbanização sem critérios ambientais pode agravar problemas urbanos e comprometer a qualidade de vida das futuras gerações em Ivinhema.


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