Segundo dia de greve surpreende quem achava que paralisação seria rápida

Os funcionários recorreram a aplicativos para conseguir chegar ao seu local de trabalho

Geniffer Valeriano e Raíssa Rojas / Campo Grande News


A greve dos motoristas de ônibus em Campo Grande continua pelo segundo dia consecutivo, surpreendendo usuários e causando transtornos. Trabalhadores e passageiros, que esperavam uma paralisação de apenas 24 horas, precisaram recorrer a transportes alternativos, principalmente aplicativos de mobilidade. Os impactos são sentidos principalmente no orçamento dos usuários. Moradores relatam aumento nos valores das corridas por aplicativo, como no caso de uma passageira que pagou R$ 17 por um trajeto que normalmente custaria R$ 10. A situação é ainda mais crítica para residentes de bairros afastados do Centro.

Morador do Bairro Monte Castelo, Nildo Cafaro da Silva, de 57 anos, começava o primeiro dia como segurança em uma empresa no Centro quando se deparou com a continuidade da greve. Para ele, a situação tende a se arrastar. “Eu acho que deve durar mais, porque, ao que aparenta, não foi acertado nada. E sempre quem fica no prejuízo é o trabalhador que precisa', avaliou.

Nildo conta que possui uma bicicleta elétrica, mas vê dificuldades para utilizá-la em dias de chuva. “Como sair em dia de chuva? O Centro, nessa hora, já era para estar lotado. Espero que se acertem e resolvam logo, porque quem sofre é a gente, trabalhador', comentou.

A aposentada Aide Forte, de 69 anos, também acreditava que a paralisação não passaria de um dia. De guarda-chuva, casaco e visivelmente molhada, ela contou que precisou recorrer ao transporte por aplicativo para levar a neta ao Teatro Aracy Balabanian, onde a jovem faria uma apresentação.

Greve - A decisão de cruzar os braços foi tomada na última quinta-feira (11) em assembleia que reuniu mais de 200 motoristas. A categoria cobra o pagamento integral dos salários que deveriam ter sido depositados no dia 5 de dezembro, além de outros direitos em atraso.

Na tentativa de conter a paralisação, o consórcio informou, no fim da tarde de sexta-feira (12), que efetuou o pagamento de 50% dos salários atrasados. O repasse parcial, no entanto, não foi suficiente para suspender a greve.

A Prefeitura de Campo Grande informa que todos os repasses foram feitos em dia e até antecipados, inclusive, R$ 3 milhões do subsídio de dezembro, para permitir o pagamento dos salários.


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