Jogo de futebol comemora a vida de transplantados em Campo Grande

Pacientes, médicos e profissionais da saúde participam de partida no Hospital Adventista do Pênfigo.

Inara Silva e Maria Gabriela Arcanjo / Campo Grande News


O 'Jogo pela Vida', realizado no Hospital Adventista do Pênfigo em Campo Grande, celebrou a vida de transplantados, como o músico Gemeel Antônio de Araújo Silva, que, após um transplante de fígado, participou da partida. O evento, que reuniu 45 jogadores, teve como objetivo promover a doação de órgãos e demonstrar a recuperação possível após o transplante. A médica Marília Bittencourt Espíndola, idealizadora do evento, destacou a importância de mostrar à sociedade que a vida pode ser retomada após um transplante. O hospital, que realizou 51 transplantes de fígado em 2023, reforçou que a doação de órgãos é essencial para esses procedimentos. A iniciativa busca inspirar e celebrar a vida dos pacientes e a colaboração entre profissionais de saúde e transplantados.

A iniciativa inédita no Estado reuniu cerca de 45 jogadores, entre pacientes transplantados, médicos, enfermeiros e funcionários do hospital, além de integrantes da ONG Fratello e representantes da Central Estadual de Transplantes. O objetivo foi dar visibilidade à importância da doação de órgãos e mostrar que é possível retomar a vida com qualidade após um transplante.

O que está valendo é a participação. Me sinto feliz por estar aqui hoje, ver a situação em que eu me encontrava e hoje poder disputar uma partida de futebol', comemorou Gemeel, que atuou como goleiro no time da ONG Fratello. A equipe venceu a Central Estadual de Transplantes por 3 a 2.

Transplantado há dois anos e nove meses, ele contou que chegou a ter 75% do fígado comprometido e passou quase quatro anos em tratamento antes da necessidade de fazer a cirurgia. “Tempos atrás eu estava em uma situação de muita fragilidade', afirmou.

Em apoio ao marido, a esposa Zenaide Aparecida Lima Pereira também entrou em campo como goleira da Fratello.

Inspiração - A médica Marília Bittencourt Espíndola, presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Pênfigo, foi a idealizadora do evento. Natural de Porto Alegre (RS), ela trouxe a inspiração da Santa Casa da Capital gaúcha, que já realiza atividades semelhantes.

“Nada melhor do que mostrar para a sociedade que a pessoa transplantada volta à vida e consegue jogar, por exemplo, uma partida como a de hoje. O transplante devolve uma vida maravilhosa para o paciente', destacou.

Reencontro - Para o médico Gustavo Rapassi, 35 anos, chefe da Unidade de Transplante de Fígado, a partida foi também um momento de celebração entre profissionais de saúde e pacientes.

“É um dia de festa pra lembrar de todo mundo que já passou por aqui. Ver que eles estavam um tempo atrás entre a vida e a morte e agora jogando com a gente é uma satisfação enorme', disse.

Ele espera que a iniciativa se repita em 2026 e reúna ainda mais participantes.

Transplantes em MS - Somente no primeiro semestre deste ano, o Hospital Adventista do Pênfigo realizou 51 transplantes de fígado, consolidando-se como única instituição de Mato Grosso do Sul a realizar o procedimento. O transplante hepático substitui um fígado doente por um saudável e pode ser a única alternativa para pacientes em estágio avançado de doenças como a cirrose.

A assessoria do hospital reforçou que o jogo é simbólico, mas com grande valor para a sociedade. “Quando falamos de transplante, não podemos deixar de falar de doação de órgãos. Não existe transplante sem doação', informou a assessoria.

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