Familiares fazem ato para lembrar jornalista morto pelo crime organizado

Santiago Leguizamón Zaván foi assassinado a tiros no centro de Pedro Juan Caballero em 26 de abril de 1991

Helio de Freitas, de Dourados / Campo Grande News


Uma manifestação nesta segunda-feira (20) lembrou o assassinato do jornalista paraguaio Santiago Leguizamón Zaván, executado a mando do crime organizado no dia 26 de abril de 1991.

Organizado pelos familiares, pela Coordenação dos Direitos Humanos do Paraguai e pelo Sindicato dos Jornalistas do país vizinho, o ato ocorreu na Praça do Periodista, construída no local onde Leguizamón foi assassinado a tiros, no Centro de Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã (MS).

Além de lembrar o assassinato, a manifestação serviu para cobrar o cumprimento da condenação do Estado paraguaio pelo assassinato.

A sentença foi emitida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 16 de dezembro de 2022. A entidade internacional considerou o Estado paraguaio como responsável pela violação dos direitos à liberdade de expressão e de pensamento e à integridade física do jornalista.

Leguizamón foi executado com 21 tiros. Um mês antes do crime, como correspondente do jornal diário “Noticias', ele ajudou a elaborar série de reportagens investigativas apontando cumplicidade de integrantes do governo paraguaio com os “barões' do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro, do contrabando de soja e do roubo de veículos.

As reportagens citavam como um dos principais chefões do narcotráfico na região o empresário Fahd Jamil, conhecido do lado paraguaio da fronteira como “El Turco'.

“Não estamos aqui apenas para recordar Santiago Leguizamón, mas também para exigir que o Estado cumpra sua obrigação de reparar, reconhecer sua responsabilidade e de garantir que atos como esse não voltem a acontecer', afirmou Dante Leguizamón, filho de Santiago.


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