Preso em operação, ex-coordenador da regulação transita na Saúde há 25 anos

Equipe do Gaeco bateu à porta de Ed Carlo a 22 dias das férias do auditor

Aline dos Santos / Campo Grande News


Preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na última terça-feira (dia 7), Ed Carlo Britto Burgatt tem longa trajetória no serviço público, com 25 anos no quadro da administração estadual. Desde 2015, ele aparece em notícias e no Diário Oficial do Estado como titular do cargo de coordenador da regulação da SES (Secretaria Estadual de Saúde).

A operação Gutenberg bateu à porta de Ed Carlo a 22 dias dele entrar de férias, período que seria entre 29 de julho e 7 de agosto. Servidor concursado, com direito a remuneração de até R$ 44,1 mil, ele foi retirado do cargo de coordenador da CRA (Coordenadoria de Regulação e Assistência) após a operação. O documento é retroativo a 7 de julho.

Concursado como auditor de serviços de saúde, o servidor tem remuneração maior do que a do governador Eduardo Riedel (PP), que é de R$ 35.462,27. Antes, Ed Carlo já foi gestor de serviços de saúde.

Na ação que investiga desvio de dinheiro público, o Gaeco passou duas horas no Core (Complexo Regulador Estadual), na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. O Core é o sistema da SES (Secretaria Estadual de Saúde) responsável por organizar a fila e o acesso do SUS (Sistema Único de Saúde) a leitos hospitalares, exames e consultas especializadas. As solicitações partem de unidades básicas e são direcionadas pelo complexo com base na urgência e disponibilidade da rede.

Contudo, de acordo com o Gaeco, também servia para atender a esquema de corrupção que movimentou R$ 27 milhões.

“Constatou-se, dentre as várias frentes de atuação, que o esquema criminoso se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo', informa a nota divulgada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) sobre a operação.

Fora do suposto esquema, o Core era apontado como mais lento do que as regulações municipais.

Conforme reclamação levada em abril de 2025 ao Ministério Público de Dourados, o Core era, no mínimo, três vezes mais lento e complicado do que o Sisreg (Sistema de Regulação) e apresentava problemas técnicos não resolvidos pelos desenvolvedores, enquanto o Sisreg tinha as vantagens de ser mais seguro e de contar com integração nacional. A migração também previa a inserção manual de 56 mil fichas de pacientes no Core.

A operação também prendeu Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Brito Burgatt. Ela integra o quadro societário de uma operadora de planos de saúde, com sede em Três Lagoas e outros dois proprietários.

No dia da ação do Gaeco, o governo de Mato Grosso do Sul divulgou nota informando que, por meio de suas forças de segurança, apoiou a operação que apura a existência e atuação de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública.

“A gestão estadual mantém contínuas ações de compliance e transparência, e como padrão de conduta em todos os casos sob investigação já determinou o afastamento e/ou a exoneração dos servidores envolvidos.  Por meio da Secretaria de Estado de Saúde, e também da Controladoria-Geral do Estado, além de acompanhar as diligências policiais também instaurou, simultaneamente, auditoria dos procedimentos sob tutela do Executivo, com irrestrito compromisso de lisura e integridade com administração pública'.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Ed Carlo e Jessyca Burgatt nesta sexta-feira (dia 10).


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