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Outono nem começou e hospitais já sentem alta de doenças respiratórias
Crianças lideram casos graves e cidade registra avanço precoce de vírus
José Cândido / Campo Grande News
O outono ainda nem começou oficialmente, mas os sintomas típicos da estação já estão batendo à porta — e, neste ano, chegaram mais cedo. Em Campo Grande, o aumento de doenças respiratórias acendeu o alerta da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que acompanha um crescimento acima do esperado para o período.
Dados da vigilância epidemiológica mostram que os atendimentos já superam os números registrados no mesmo intervalo de 2025. A diferença, segundo técnicos da área, está na intensidade e na precocidade da circulação viral, com a presença simultânea de agentes como rinovírus, Influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e Covid-19.
Tradicionalmente, o pico dessas doenças ocorre entre abril e julho. Mas, em 2026, a curva começou a subir antes — um indicativo de que o sistema de saúde e a população precisam se antecipar.
Crianças lideram casos graves
O impacto mais forte tem sido sentido entre os pequenos. A maior parte das ocorrências mais graves envolve crianças, especialmente bebês com menos de 1 ano. Na sequência aparecem as faixas de 1 a 4 anos e de 5 a 9 anos.
Até a 10ª semana epidemiológica, Campo Grande já registrou 291 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Desses, 25 evoluíram para óbito, o que representa uma taxa de 8,2%.
Nos casos mais críticos, a presença combinada de vírus preocupa. A circulação simultânea aumenta o risco de agravamento, principalmente em públicos mais sensíveis, como crianças pequenas e idosos.
Além disso, o município já identificou surtos em ambientes fechados — um relacionado à Covid-19 e outro ao VSR em crianças — ambos com necessidade de internação. Situações que reforçam o papel da ventilação e da prevenção no dia a dia.
Outono e chuva favorecem avanço
A tendência é de crescimento nas próximas semanas. Fatores como a queda gradual de temperatura, aumento das chuvas e maior permanência em ambientes fechados criam o cenário ideal para a disseminação dos vírus.
A Sesau aponta que, desde o início de março, a demanda por atendimento já segue acima do padrão do ano passado — e deve se intensificar com a chegada do frio.
Prevenção volta ao centro das atenções
Diante do cenário, medidas simples voltam a ser protagonistas:
- Higienizar as mãos com frequência
Higienizar as mãos com frequência
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
- Evitar ambientes fechados e aglomerações
Evitar ambientes fechados e aglomerações
- Manter a vacinação atualizada
Manter a vacinação atualizada
A recomendação é redobrar os cuidados, especialmente em casas com crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas.
Vacinação começa no fim do mês
A principal arma para evitar casos graves continua sendo a vacina contra a gripe. Em Campo Grande, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza 2026 começa no dia 28 de março, com o Dia D.
Outro avanço importante é a proteção contra o VSR para gestantes, estratégia que ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida, reduzindo o risco de bronquiolite e outras complicações.
Rede de saúde se prepara
Enquanto os casos aumentam, a rede municipal já entra em modo de reforço. As unidades de saúde estão sendo orientadas a intensificar protocolos de atendimento, isolamento de casos suspeitos, uso de equipamentos de proteção e monitoramento de surtos.
O objetivo é claro: responder rápido, evitar agravamentos e impedir que o sistema entre em sobrecarga no momento mais crítico do ano.
Em um cenário que antecipa o inverno, o recado das autoridades de saúde é direto: a temporada das doenças respiratórias já começou — e, desta vez, sem esperar o frio chegar.
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