Estudo inédito avalia reprodução de Alvinho, o tamanduá-bandeira albino

Objetivo é descobrir se o animal já atingiu maturidade sexual, informação crucial para conservação da espécie

Clara Farias / Campo Grande News


A equipe do Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) está em campo nesta semana com uma missão especial: recapturar Alvinho, o tamanduá-bandeira monitorado pela instituição, para ajustar seu colete de rastreamento e realizar uma avaliação reprodutiva. O objetivo é descobrir se o animal já atingiu a maturidade sexual — uma informação crucial para a conservação da espécie, considerada vulnerável à extinção.

Alvinho é o único tamanduá-bandeira albino monitorado no mundo, e é considerado um dos animais mais raros do Cerrado brasileiro. A ação faz parte da pesquisa conduzida pela médica veterinária Carolina Lobo, mestranda na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu. Ela estuda a reprodução dos dois maiores representantes da superordem Xenarthra: o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra.

Para investigar o desenvolvimento reprodutivo de Alvinho, a equipe leva a campo um aparelho de ultrassonografia, técnica essencial para visualizar os testículos desses animais. 'No caso do tamanduá-bandeira, os testículos estão localizados dentro da cavidade abdominal, o que torna impossível observá-los externamente', explica Carolina.

A pesquisa busca preencher uma lacuna importante no conhecimento científico: há poucos dados sobre a reprodução dos tamanduás em vida livre. A mensuração testicular, combinada à biometria corporal, permite entender melhor o crescimento desses animais, além de indicar quando eles alcançam a chamada maturidade sexual.

'Saber a idade em que os tamanduás atingem essa fase é um dado-chave para estratégias de conservação. Isso nos ajuda a entender como garantir populações viáveis no longo prazo', afirma a pesquisadora.

O tamanduá-bandeira está listado como espécie vulnerável tanto na lista nacional do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) quanto na IUCN (Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza). A perda de habitat, atropelamentos e queimadas estão entre as principais ameaças.

Ações como essa são consideradas fundamentais para a ciência, e proteção efetiva da biodiversidade brasileira. “Cada dado que conseguimos em campo representa um passo a mais para a sobrevivência desses gigantes da nossa fauna', finalizou Carolina.


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